Primeiro Presidente e Patrono
Dois personagens, dois marcos da história do Parlamento potiguar: Francisco de Brito Guerra presidiu a instalação da primeira Assembleia Provincial, em 1835; José Augusto Bezerra de Medeiros, parlamentar e governador, tornou-se patrono da instituição e dá nome à sua atual sede.
Primeiro Presidente
Francisco de Brito Guerra (Campo Grande, 18 de abril de 1777 — Rio de Janeiro, 26 de fevereiro de 1845) foi um sacerdote católico e político brasileiro. Foi deputado provincial, deputado geral e senador do Império do Brasil de 1837 a 1845. É patrono da cadeira n.º 31 da Academia Norte-rio-grandense de Letras.
Padre
Francisco de Brito Guerra
Primeiro presidente da Assembleia Provincial. Deputado-geral, senador do Império e personagem da definição territorial do Seridó potiguar.
Francisco de Brito Guerra (1777–1845), sacerdote e político norte-rio-grandense, foi o primeiro presidente da Assembleia Legislativa Provincial do Rio Grande do Norte. Eleito na sessão de instalação de 2 de fevereiro de 1835, obteve 16 dos 17 votos dos deputados presentes.
Nascido na Fazenda Jatobá, no atual município de Campo Grande, iniciou seus estudos no Rio Grande do Norte e prosseguiu sua formação em Pernambuco. Estudou no Seminário de Olinda, onde integrou uma de suas primeiras turmas, e foi ordenado sacerdote em 1801. No ano seguinte, estabeleceu-se em Caicó, onde exerceu por décadas o sacerdócio e se tornou figura de destaque na vida religiosa e intelectual do Seridó. Em sua residência também funcionou uma escola de latim, atividade que revela sua participação na formação educacional da região.
Brito Guerra também participou dos primeiros passos da imprensa potiguar. Em 1832, ao lado de Basílio Quaresma Torreão, Urbano Egide e José Fernandes Carrilho, foi um dos fundadores de O Natalense, considerado o primeiro jornal a circular no Rio Grande do Norte, cuja edição inaugural foi publicada em 2 de setembro daquele ano.
Sua atuação política começou antes da instalação da Assembleia Provincial. Entre 1831 e 1833, participou dos trabalhos da Câmara dos Deputados como deputado-geral. Foi de sua iniciativa a lei de 25 de outubro de 1831 relacionada à definição dos limites territoriais do Seridó, consolidando sua vinculação à Província do Rio Grande do Norte diante da disputa existente com a Paraíba.
Com a instalação da Assembleia Legislativa Provincial, Brito Guerra tornou-se seu primeiro presidente. Sua passagem pela presidência, entretanto, foi breve: permaneceu no posto por pouco mais de um mês, deixando-o para exercer novo mandato na Assembleia Geral. Em 1837, tornou-se senador do Império, função vitalícia que exerceu até sua morte, em 1845. Segundo os registros reunidos pelo Memorial, foi o único potiguar a representar a Província no Senado durante o período imperial.
Sua eleição para presidir a primeira legislatura potiguar simboliza também uma característica daquele Parlamento: a expressiva presença de sacerdotes entre os primeiros representantes da Província. Em Brito Guerra reuniam-se diferentes dimensões da vida pública do século XIX — religião, educação, imprensa e política —, fazendo de sua trajetória uma referência dos primeiros anos de organização institucional do Rio Grande do Norte.
Patrono
José Augusto Bezerra de Medeiros, mais conhecido como José Augusto (Caicó, 22 de setembro de 1884 — 18 de maio de 1971), foi um advogado, magistrado, professor e político brasileiro.
José Augusto
Bezerra de Medeiros
Patrono da Assembleia Legislativa. Parlamentar e governador potiguar que dá nome à atual sede do Poder Legislativo estadual.
José Augusto Bezerra de Medeiros (1884–1971) nasceu em Caicó e construiu uma das mais extensas trajetórias políticas norte-rio-grandenses da primeira metade do século XX. Advogado, magistrado, professor e escritor, exerceu mandatos no Legislativo estadual e federal, governou o Rio Grande do Norte e representou o estado no Senado da República.
Sua trajetória parlamentar começou na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, onde exerceu mandato de deputado estadual entre 1913 e 1915. Nesse período, participou dos trabalhos de elaboração da Constituição Estadual de 1915, ao lado de nomes como Henrique Castriciano, Tomás Salustino e Alberto Maranhão.
A partir de 1915, passou a representar o Rio Grande do Norte na Câmara dos Deputados. Foi governador do estado entre 1924 e 1927, senador da República e, posteriormente, voltou à Câmara Federal, acumulando décadas de participação na vida pública brasileira.
José Augusto também teve atuação intelectual, dedicando-se a temas relacionados à política, à educação, à economia e à história do Rio Grande do Norte, particularmente do Seridó.
Em reconhecimento à sua trajetória, tornou-se patrono da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Seu nome identifica a atual sede do Poder Legislativo estadual — o Palácio José Augusto, inaugurado como sede da Assembleia em 31 de janeiro de 1983 — estabelecendo uma ligação permanente entre sua memória e a instituição.

